segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Arroz “à la minute”

Esta é uma sugestão da minha Amiga Helena Gil que, de terras transmontanas me manda este mimo gastronómico e literário. Obrigado Helena, a porta fica sempre aberta.


Arroz “à la minute”
Sabe aqueles dias de inverno que obrigam a um recolher antecipado a casa… aqueles dias frios em que a geada começa a brilhar no chão da calçada como a mica no granito…?
Sabe aqueles dias em que a família se aconchega na cozinha para aquecer a noite com as novidades do dia…?
Sabe aqueles dias em que a quentura da braseira à volta da qual nos sentamos, alastra por todo o corpo e dá uma quebreira prazeirosa e indolente… tão indolente que ninguém arreda pé da cozinha.
Sabe aqueles dias em que se não planeou nada para o jantar e a hora de o preparar se aproxima e o apetite não falha…?
É aí que a mãe pergunta, a ganhar tempo: o que vamos fazer para o jantar?
Para quê sugestões se o calor e conforto nos cola à cozinha e atrofia os nossos movimentos? Sair para compras? Fora de questão.
- E se fosse um arroz à la minuta (era assim que a minha mãe dizia)?
- Boa, concordávamos em uníssono.
Ora aqui vai a receita:
Num tacho coloca-se alho esborrachado (1 dente grandinho), uma folha de louro, azeite q.b., um pozinho de colorau para dar um pouco de cor, bacalhau da peça ( isto é, bacalhau não demolhado, cortado em bocadinhos, da parte mais baixa do bacalhau), arroz carolino na porção desejada e água (o dobro da medida de arroz, se se quiser seco ou quatro vezes mais se se preferir malandrinho). Tudo em frio. Vai ao lume, e quando começar a ferver, modera-se o calor. Depois é só esperar que chegue ao ponto.
Mas o que eu gostava mais era quando a mão da minha mãe escorregava um pouco na medida e em vez de arroz seco ou arroz malandro saía um arroz de meio termo, cremoso, cheiroso, tão saboroso… e não sobrava nada para o gato nesse dia.

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